quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

CRÔNICA: Censura e Evolução



É ridículo ter que debater certos conceitos em pleno século XXI, uma era envolta a revoluções tecnológicas, descobertas de cura para doenças e o descobrimento de outro anel de saturno. Em um mundo com meios de conhecimentos vastos, interatividade e fontes inesgotáveis de informação, a visão que se tem é que todos estão surdos, como dizia Roberto em suas poesias cantadas que inspiravam as revoluções. Talvez, além de surdos, todos estejam cegos, mudos e sem nenhuma sensibilidade.

Quem diria que hoje, ainda falaríamos em censura. O homossexualismo, um dos alvos mais atingidos, ainda é visto como um tabu. Enquanto a hipocrisia das maiores emissoras de televisão os deixam numa zona de conforto, personagens gays (em proporções absurdas, 1 a cada 200 personagens) são coadjuvantes e não condizem com a realidade. Achando-se o próprio Da Vinci, os autores de novela se sentem no direito de produzir retratos mal-pintados dos homossexuais e ainda pagam por 'heróis da causa'. Munidos de lenços no pescoço, roupas coladas, cores escandalosas e um punhado de bordões, estes personagens fazem pequenas aparições quando~já não se tem muita a mostrar em um capítulo. No final, cada vez mais óbvio, todos se casam, tem filhos e são 'felizes para sempre', e o personagem gay terá sorte se apenas 'arrumar' o cabelo da moçinha antes de seu casamento e este é seu fim na novela.

O mais ridículo são os personagens que começam gays e no decorrer da trama 'se transformam' em héteros, como se o homossexualismo fosse um mero resfriado de inverno. O fato é que eles só são usados como 'bichas de estimação' das protagonistas. Afinal, elas precisam arrumar o cabelo, fazer compras, fazer a maquiagem e precisam de um gay para isso. Na vida real, obviamente, que muitos gays assumem esses papéis (esses empregos são tão dignos e importantes como todos os outros), mas, será que todo gay só é cabeleireiro? Espero um dia ligar a televisão e ver o advogado/ médico/ dentista (seja lá o que for), aquele cara bonitão que arranca suspiros das telespectadoras (e dos homens também) seja o gay da história. Que em meio as incontáveis horas de beijos, carícias e cenas um tanto quanto eróticas dos personagens héteros, possa existir 1 beijo gay pelo menos. Quem sabe no final da novela, ele não possa casar, adotar um filho, ou até mesmo fazer uma inseminação artificial ou coisa parecida.

Será que esse preconceito deixará de existir? Ou iremos esperar que carros voadores e a clonagem de seres humanos chegue primeiro? Será que ainda vamos debater esse assunto com a lua brilhando na janela de nossas naves espaciais? Pode parecer exagero, mas do jeito que as coisas caminham, não duvido nada que chegue a esse ponto. Um autor de novela uma vez disse algo como " O público brasileiro não está pronto para um beijo gay em uma novela" e eu me pergunto como o público não estaria preparado para isso? Não sei se algum de vocês já assistiu uma porção considerável de filmes brasileiros, mas a nudez feminina chegou ao ponto de só faltar ver o útero da mulher, porque o resto está estampado. Que tal falarmos das sujestivas propagandas de cerveja? Ou até daquela novelinha manjada depois do filme da tarde em que só se fala em sexo o tempo todo. E ainda dizem que não estão preparados para um simples beijo gay! Parabéns censura! Você além de não ter ido embora, ainda está vencendo novamente aliada a hipocrisia...

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